domingo, 1 de dezembro de 2013

GUARDAR, de Antonio Cicero

Fiz uma leitura de 'Guardar', uma das obras do poeta Antonio Cicero que eu mais amo. Como gravei tudo num take só, tomei a liberdade de suprimir algumas palavras para que me caísse melhor a tonalidade; para que a respiração não me traísse no meio do caminho.

Veja:




Aqui, todos os versos:

GUARDAR
Antonio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Um comentário:

Marli Fiorentin disse...

Olá Cícero!

Amei a poesia e a tua leitura. Obrigada por visitar meu varal. Anda um tanto parado, mas a poesia é uma paixão minha. Abraços!